segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Uma nova Ana Laura

     Então ela viu que o que ela amava de verdade era a possibilidade de ter para si alguém que ninguém jamais havia tido, por pura vaidade... Viu que seu amor era pela sua imagem de amante, e não pela essência. Encontrou no acaso a pessoa certa para cobiçar, o coração mais difícil de conquistar. Pôs para si um desafio, um dos jogos mais divertidos de que podia dispor. E quando pensava ter perdido a guerra, viu-se vitoriosa numa disputa que não queria mais lograr, alcançando um prêmio do qual ela já havia aprendido a viver sem almejar.
   Sentiu-se feliz a princípio, vendo-se vitoriosa em uma batalha que já não disputava mais. Depois veio a consciência, que fê-la enchergar sua prepotente ânsia no poder de algo não merecia, de alguém que isso a ela não faria. Sentiu então todo o peso do mundo em suas costas, provou como era corruptível sua própria mente, e a decepção consigo própria a abateu.
        Quando acordou, olhou para trás e não quis voltar... se viu livre de si mesma, da mania egocêntrica de ser única e especial. E, mesmo tendo alcançado o que mais queria, mesmo vendo a tristeza nos olhos de quem agora finalmente a amava, escolheu libertar a si própria à alimentar seu egoísmo. Deciciu entregar os pontos, lançar ao léu sua grande conquista.
         Mas a vida, pensou, era instável, e ainda lhe havia muito a passar, e quase nada ainda havia tido tempo de aprender. Colocou-se em seu lugar. Viu-se vítima da própria ambição. E pensou como era bom aquele que agora ela deixava, e que enfim libertava do jogo, num gesto de verdadeiro amor condolente a si e a ele. Sorriu para si e viu entusiasmo num novo caráter para explorar e melhorar. Agora podia mudar novamente e apertar os parafusos mais soltos, como se faria num mundo ideal. Tornara-se independente de si, dependente do novo mundo que estava disposta a enxergar.
    Assim, reconquistou a juventude de um sopro leve, suave e digno, buscando a sensação de toda a adrenalina irresponsável que merecia. Passou a ver o mundo com a inconsequência da simples e comum adolescente que agora assumia ser. Deixou pra trás sua mania de grandeza, buscando somente ser maior, e só.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Inquietude

   A brisa bate em minhas ondas enquanto angustio-me com a imagem de um mundo que não é meu. A imagem que questiono muta rápido à minha frente, e assim como meus cachos se agita e contrabalança às manhas do ar. Ela também muda suas cores: pode ser toda suave ou intensa ou os dois.
   Ela veio de mansinho, mostrando-se somente em alguns picos. Depois tomou lugar, veio espaçosa e devagar, até tomar todos os ângulos de minha já irrequieta mente.
   Então toca novamente em minha face o vento, instável feito meu interior, e me faz pensar se somente eu vejo a pane que se instala neste mundo que ainda dizem ser o meu.
   Seria idealismo listar aqui tudo o que eu não concordo? Ou seria só mais um protesto surdo de uma pobre solitária em decepção?? Que mal há em enchergar em tudo ao menos um pouco de estupidez? Só eu penso assim? Estou só em minhas divagações? Por que tudo iso acontece? E por que ninguém faz nada? Por que??