sábado, 23 de outubro de 2010

Fraca

  Fraca.
  Fraca como a vida lhe fez, fraca como quem ainda não lasseou às intempéries do mundo agindo em sua bilionésima parcela de importância na existência.
    E como tudo o que é frágil, cedeu.
       Como todo frágil cristal quebrou-se ante à queda, como quebram as ondas quando encontram a rocha. Fez-se cacos, fez-se pó por simples golpe desferido pela mais normal das circunstâncias que o viver expõe.
      Mas sentia-se tão firme, tão apta às inconstâncias... coitada! Quando atinou, estava largada nas pedras, jogada, desmaiada, ESPALHADA.
               Perdera seus princípios, seus sonhos, suas razões, onde foi parar sua identidade??
                 Perdeu também sua pobre segurança. E então nem quis mais se procurar, se remontar.
         Entregou-se à derrota, não via saída para tal flagelo porque seus olhos também perdera.
            E agora, inerte, chora as lágrimas que ainda não encontrou.


               Vai, chora.
                 Cadê tua certeza??
                    Vai, chora.
                       Pra onde foi tua força? Não te chamavas fortaleza?? Dissolveu-se teu castelo de areia.
                          Anda, chora!
                             Clama pela paz que dizes nunca ter conhecido, implora pelos dias de falsa-alegria que um dia a ludibriara, não para de chorar!
     Avante em choro imundo, inútil, tosco de quem ainda tem visão entre os cegos, choras enquanto a brisa termina de espalhar teus fragmentos!!
        Chora enquanto o mundo rola e ri da tua entrega, pois enquanto pensas que sofres, sofrem mais os que são mais fortes que tu!


                                Chega, mortal comum, para de lamentar ter perdido o pão enquanto muitos mal água tem. Levanta logo, vai procurar teus pedaços e cuida para que não encontres alguns. Usa outras partes, remonta-te diferente! Porque se te levantas deste tombo igual à que caístes, torna-se inútil seu penar.
  Apressa, adianta-te que o mundo ainda gira não sob seus pés, mas sobre a tua cabeça.
       E quando novamente pensares ser assim tão blindada, inatingível, lembra-te que as mais altas edificações ruíram, e aceita tua humanidade pobre, medíocre e egoísta.
                  Assume tua natureza e não renega tua fraqueza.
                                                E vê se te enxerga.

...

   Porém descobriu que sua liberdade ainda pendia presa à sua necessidade de estar sempre no controle, de saber sempre o que estava fazendo. Percebeu que ter sempre uma estratégia para tudo era sua verdadeira prisão. E descobriu ter se perdido.
      E viu nos olhos daquele que tanto a fazia bem a comoção de um arrependimento que a convenceu. Sentiu em suas palavras a possibilidade palpável de uma mudança que muito buscara, e teve fé. Rendeu-se então à sensação que sempre a rendera, mergulhou de cabeça na divertida tentação que se insinuava e à qual sofria em resistir. Entregou-se ao seu próprio destino.
                   E cedendo à fraqueza física, reencontrou a ascensão do sentimento que tanto tinha ignorado. Lembrou-se da sensação, do quanto aquela união a completava. Sentiu-se segura pela prova da reciprocidade daquela emoção, mas teve medo de se entregar. E ainda assim se entregou, quis viver o momento e só.
   Prometeu a si mesma ser feliz, e não se deixar mais sofrer. Estava novamente se expondo ao risco, mas decidiu dar a si própria o 1º lugar na sua vida. Não aceitaria outro deslize. Não haveria mais volta se o corpo novamente ignorasse o coração.
               Sentiu-se si mesma, sentiu-se e só. Entendeu que nada poderia impedi-la de ser feliz se ela não quisesse. Sentiu-se então feliz, e mais livre por não mais depender de alguém, mesmo amando-o. E continuava a busca de sua tão sonhada liberdade.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Uma nova Ana Laura

     Então ela viu que o que ela amava de verdade era a possibilidade de ter para si alguém que ninguém jamais havia tido, por pura vaidade... Viu que seu amor era pela sua imagem de amante, e não pela essência. Encontrou no acaso a pessoa certa para cobiçar, o coração mais difícil de conquistar. Pôs para si um desafio, um dos jogos mais divertidos de que podia dispor. E quando pensava ter perdido a guerra, viu-se vitoriosa numa disputa que não queria mais lograr, alcançando um prêmio do qual ela já havia aprendido a viver sem almejar.
   Sentiu-se feliz a princípio, vendo-se vitoriosa em uma batalha que já não disputava mais. Depois veio a consciência, que fê-la enchergar sua prepotente ânsia no poder de algo não merecia, de alguém que isso a ela não faria. Sentiu então todo o peso do mundo em suas costas, provou como era corruptível sua própria mente, e a decepção consigo própria a abateu.
        Quando acordou, olhou para trás e não quis voltar... se viu livre de si mesma, da mania egocêntrica de ser única e especial. E, mesmo tendo alcançado o que mais queria, mesmo vendo a tristeza nos olhos de quem agora finalmente a amava, escolheu libertar a si própria à alimentar seu egoísmo. Deciciu entregar os pontos, lançar ao léu sua grande conquista.
         Mas a vida, pensou, era instável, e ainda lhe havia muito a passar, e quase nada ainda havia tido tempo de aprender. Colocou-se em seu lugar. Viu-se vítima da própria ambição. E pensou como era bom aquele que agora ela deixava, e que enfim libertava do jogo, num gesto de verdadeiro amor condolente a si e a ele. Sorriu para si e viu entusiasmo num novo caráter para explorar e melhorar. Agora podia mudar novamente e apertar os parafusos mais soltos, como se faria num mundo ideal. Tornara-se independente de si, dependente do novo mundo que estava disposta a enxergar.
    Assim, reconquistou a juventude de um sopro leve, suave e digno, buscando a sensação de toda a adrenalina irresponsável que merecia. Passou a ver o mundo com a inconsequência da simples e comum adolescente que agora assumia ser. Deixou pra trás sua mania de grandeza, buscando somente ser maior, e só.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Inquietude

   A brisa bate em minhas ondas enquanto angustio-me com a imagem de um mundo que não é meu. A imagem que questiono muta rápido à minha frente, e assim como meus cachos se agita e contrabalança às manhas do ar. Ela também muda suas cores: pode ser toda suave ou intensa ou os dois.
   Ela veio de mansinho, mostrando-se somente em alguns picos. Depois tomou lugar, veio espaçosa e devagar, até tomar todos os ângulos de minha já irrequieta mente.
   Então toca novamente em minha face o vento, instável feito meu interior, e me faz pensar se somente eu vejo a pane que se instala neste mundo que ainda dizem ser o meu.
   Seria idealismo listar aqui tudo o que eu não concordo? Ou seria só mais um protesto surdo de uma pobre solitária em decepção?? Que mal há em enchergar em tudo ao menos um pouco de estupidez? Só eu penso assim? Estou só em minhas divagações? Por que tudo iso acontece? E por que ninguém faz nada? Por que??

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Lá vem ele

   Lá vem ele, trazido pela vontade de desbravar um novo mundo. Vem vestido em preguiça, mas traz no olhar a energia, a vontade, o brilho que as estrelas escondem.
   Lá vem ele, tentando abafar o sorriso que se obriga a por no rosto, que se revela a oeste e se cobre a leste. E vem junto com o cheiro, junto com o fogo, junto com o ar. Vem perturbar meu sono, vibrar minha pele, provocar meu juízo.
   Vem, e traz consigo todos os sonhos do mundo, vem e tem comigo todos seus sonhos de homem. Vem com calma, vem com pressa, vem buscar seu bem. Vem de corpo, vem de alma, vem de mente. Sorri e olha, o sorriso teimoso de quem se encontra em meio às desandanças da vida.
   Vem aquele que amo, vem aquele que teima que não ama. E porque eu conheço aquele que me faz bem, sei que ele não me faz mal. Por isso eu sei, vejo a máscara que a teima forma, e vejo além dela, o que ele pode me dar. Eu sinto.
   Vem então ao meu encalço, vem buscar a parte que lhe falta. Vem provar teu gosto, vem provar meu mel.  Vem tecer meu tempo, vem adocicar a minh'alma; vem.

sábado, 19 de junho de 2010

Gosto

    Gosto quando me olha, sem malícia, sem luxúria, e foca em meu olhar tuas mais puras pretensões. Gosto quando me prende devagar em tua respiração, na proximidade dos nossos rostos, formando um elo firme. Gosto quando a tua boca explora a minha, alongando-se pelas outras partes da minha face, buscando meu mais doce mel.
    Gosto da sensação do teu corpo, dos teus braços, da tua alma. Gosto do teu cheiro, do teu gosto, do teu toque. Gosto do teu ar, dos teus lábios, da tua pele.
    Gosto quando me toma pelas mãos e me guia pelo teu corpo. Gosto quanto testa minhas costelas e a pele das minhas costas, quando suga em meu pescoço meu fôlego, e aplica em mim teu veneno que nos torna imortais. Gosto quando sussurra em meus ouvidos as mais loucas promessas de um amor aceso.
    Gosto das tuas ousadias, das tuas sutilezas, dos teus movimentos agressivos e das tuas delicadezas. Amo teus raros surtos românticos, amo enxergar sentimentos por entre tuas mais rústicas masculinidades, e explorar tuas fraquezas em meio às tuas muralhas de areia.
    Amo teus olhos, tua boca, tuas sardas e teu olhar. Amo teus cabelos, teus braços, teus traços, teu pescoço, teu colo e tuas mãos. Amo teu jeito, teu sarcasmo, teu meio-sorriso inundado em terceiras intenções e a forma com que me desafia. Amo tuas histórias loucas e cada uma das tuas cicatrizes espalhadas. Amo tua voz, arrastada, embebida em preguiça, sono, malícia e fogo. Amo o jeito que fala, a forma dos teus movimentos, tua mania de me contrariar.
    Acho que também amo você.

domingo, 13 de junho de 2010

Decepção

Sob o olhar da tristeza
repousa o meu interior,
sustentando-se da falha
na missão de não chorar.
Malditas lágrimas, praguejo,
enchendo minhas pálpebras,
espalhando pelo resto de mim
a sensação de morte.
  Como quem não divulga seu preceito
  pelas costas, no auge do meu gozo
  veio a lâmina que me atravessa o peito
  de onde eu bem pensava duvidoso.
Maldito seja o lado divino do homem,
maldito seja seu lado perverso, diabral,
maldito seja o ser que um dia resolveu
que ambas as faces convivessem
dentro do corpo de um animal
que, mesmo tendo em si a consciência
se entrega ao mais simples e vil instinto.
   Lembrar o domínio da verdade sobre nossas vidas,
   um para o outro, o outro para um,
   o que há pouco nos mantia unos,
   e que agora nos faz água e óleo, preto e branco.
       Sofro agora porque errastes;
       sofro mais se te deixo pela decepção,
       ou se te aceito outra vez e corro mais o risco da traição?

domingo, 6 de junho de 2010

Sem título

Como explicar o que eu sinto
quando te tenho novamente à minha pele 
quando te tenho novamente em mim?
  Ocupando de novo a minha mente, merecidamente,
  ao me mostrar seu mundo quando me toma nos braços.
    Na imensidão de 1000 palavras que não são ditas
    - e nem precisa - mas sentidas
    no calor de um laço pelo qual
    entre nós não há espaço
    senão na vontade de não mais se soltar
    e de ainda mais se embrenhar
    no labirinto para o abismo que se mostra
    o nosso ar...
Como explicar - como entender (?)
A intensidade desse sentimento?
 Como aceitar esse domínio a que me submete
 e que me permite dominar?
    O jogo que se forma, na órbita do nosso abraço
    na tensão da pele, no aço
    que pelas ferozes garras dessa chama sucumbe,
    o fogo que se acende, e arde.
 
  Mas pra que explicar o que não se pode entender
  se o que eu preciso posso reconhecer
  que tantas lágrimas após expelidas
  de minhas inchadas pálpebras compadecidas,
  tantas noites mal-dormidas
  de agonia em mim enrustida,
      que valeu a pena esperar - valeu apena lutar
      pra mais uma vez poder te amar.

Esquecimento

  Te esquecer. Você acha que é fácil?
     Lembrar teus olhos... Lembrar teus olhares.
     Lembrar tua boca... Lembrar teus beijos.
     Lembrar teu corpo... Lembrar teus abraços.
         Meu esforço, meu empenho na tentativa de te tirar de mim
         se mostra desistente, se mostra incompetente
         ao meu corpo que desfalece ao lembrar você.
         E você nem me ajuda!
             Chega sempre mais perto,
             me obriga a sentir teu cheiro,
             me obriga a sentir tua falta.
               Faz meu coração novamente acelerar
                      minha atração novamente aflorar
             e faz meu corpo novamente te desejar.
  Mas por que sofrer assim??
   Por que me tortura dessa maneira,
    por que judia de mim??
        Te odeio só por que ainda te amo.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Inesquecível

Não adianta tentar me esquecer. Isso está além da sua inquestionável racionalidade.



            Você não pode porque, por mais que negue, por mais que se engane, você sente... Porque eu vou ser sempre a garotinha que te olhava nos olhos e rompia sua barreira... porque eu vou ser sempre a mocinha que ocupava seu pensamento, a menininha do olhar amendoado profundo que desnudava suas verdades... e acreditava nas suas mentiras... eu vou ser sempre a pessoa forte e madura que só nos seus braços se revelava meiga, sensível e frágil... vou ser sempre a pequena existência que sorriu quando você disse que não gostava e chorou quando você disse que amava... o pulso firme que amolecia em teus braços... a fortaleza que só se abria pra você, e te acolhia sem pensar... a única mulher que formava o seu harém, o único harém que te ouvia e te dizia o que ninguém mais diria...


      Eu vou ser sempre a única água que saciava a sede que em 20 anos de crime você não tinha conseguido matar... vou ser sempre “única” em teus olhos, e como eu você nunca encontrará... serei sempre a lembrança com quem você comparará todas as outras garotas da sua vida... serei sempre o rosto puro e suave de que você se lembrará quando sentir medo...


              E quando você se arrepender... tudo o que vai lembrar é que todas as suas tentativas de me proteger, de me poupar, deram errado, e que só me fizeram sofrer mais do que precisávamos...


       Yng e yang, o bem e o mal, todo esse ódio que eu sinto agora por você não substitui, mas somente camufla tudo o que eu realmente sinto... o ódio passa, mas o amor e os sentimentos relativos a ele não... e um dia, o ódio vai se esvair, e todos os seus esforços se mostrarão inúteis...


                 E não me interessa se isso tudo é o que você sente ou sentiu... isso é o que você me fez sentir que sente e isso é tudo o que importa... pra mim isso talvez seja só mais uma das faces do amor que eu tanto procuro... e que você acaba de destruir minhas forças para buscar.

Eu espero.

 Eu espero o intervalo.
      espero o almoço.
      espero o dentista.
      espero o amor.

Eu espero a fila andar,
     espero o professor chegar,
     espero o mundo girar
     e o tempo passar.

Eu espero o ônibus.
     espero o elevador.
     espero 21 de dezembro de 2012.
     espero a guerra começar (acabar) (?)

Eu espero o coração se decidir.
     espero o meu mundo não cair.
  e espero não desistir
de esperar você vir.

     Na vida nada vem sem paciência e/ou esforço.
            E nem adianta correr: tudo tem seu tempo.
                 E por mais que eu reclame, não há outra saída senão agir e esperar.
                       E como eu não estou parada, só me resta uma alternativa:

      Eu espeeeeero!!

Saudades

   Pra começar a choradeira, um texto beeeem antigo...


               “Why is everything so confusing??”



       Deitada em minha cama sinto a madrugada se arrastar, suas longas horas me corroem por dentro. A chuva que serpenteia a janela imita as lágrimas que me desobedecem e insistem em lavar o vazio que te obriguei a deixar em mim.


           A decisão que tomei não foi impensada. Antes de te deixar, passei por dias de reflexão sobre nossos momentos, nossos sentimentos. A última coisa que eu queria era me arrepender da minha atitude, independentemente de qual fosse ela... e foi exatamente o que aconteceu.


   Quando pensei que podia viver sem você, minha razão me enganava, me fazendo crer que somente ela me bastava. E meu sentimento lamentava, cobrando a atenção que eu lhe devia, tentando me mostrar que a razão nem sempre é o caminho inverso ao da dor. Hoje até meu cérebro sofre as conseqüências da atitude que ele próprio coordenou; tudo está confuso e instável tanto dentro da minha cabeça quanto dentro do meu coração. Mal posso enxergar o caminho através do nevoeiro que se formou ao meu redor.


    “O nevoeiro é rigoroso e cruel. Não posso voltar atrás porque ele abriu um abismo às minhas costas; não posso avançar porque ele não permite que eu veja o próximo passo, não me deixa enxergar o solo ou entender as precipitações do caminho...”


                 Cometido o meu erro, agora me falta espaço, e todo oxigênio do mundo me parece insuficiente. No início, meus dias eram comuns e ociosos. Fui procurar novos ares, mas comparei todos os ventos à sua respiração embalada por nosso abraço; todos os aromas ao teu cheiro impregnado à gola do paletó que ainda não quis lavar. Fui atrás também de novas formas de buscar a felicidade, mas tais caminhos não se aplicam a mim, e eu também não pude me aplicar a eles.


   Então lembranças tuas vieram derrepente, e me perfuravam e me queimavam como uma flecha em chamas. As flechas, porém, atingiram minhas entranhas e o fogo se alastrou, incendiando-me. Era copiosa a forma com que eu ardia, mas também devastadora e altamente inflamável. Quanto mais queimava, mais me agredia e mais intensamente ardia; e mais se espalhava. Era o inferno dentro de mim. Fui perdendo também as manhas teatrais, e tornava-se claro meu sofrimento.

        Já não caibo mais dentro de mim, o mundo me parece pequeno sem seu toque. E enquanto sofro calada, percebo que em minhas lembranças algo crucial escorre por entre meus dedos. Descobri que não consigo mais lembrar teu rosto.


            E como se não bastassem as lembranças e deslembranças tuas, sempre piora. Quando penso que podes estar nos braços de outra, a brasa, que outrora fora labareda ardente, volta me despir o juízo, como antes não faria.


                        “Quantos suspiros me escaparam, quantas lágrimas me fugiram, enquanto escrevo essas vãs palavras??”


      E não se iluda ao pensar ser a tua volta a razão dessas inconstantes linhas, mas a necessidade de expressar de algum modo minha inquietude inacomodada. E se somente o sono ameniza minha dor, que a misericórdia divina permita que minhas perturbadas pálpebras se fechem nos braços de Morfeu – feito louvável que o ardor de minhas entranhas tem me impedido de realizar.


         E mesmo com tanto sofrimento não posso dizer que te amo, se o amor permite que nos felicitemos somente com a felicidade do outro. Meu egoísmo, desgraça humana, que só me deixa querer você ao meu lado, de amargar-me em pensar nos outros lábios que porventura beijas, me mostra o caminho da paixão e do desejo em teu leito.


                                 “There is no love here.”


           Teus lábios não existem mais macios; teus beijos não existem mais fartos. Teus braços não existem mais firmes; teus abraços não existem mais seguros.

                    É muito [#]foda ainda te querer.

 
                                 Ana Laura is suffering//...

Primeiro post deve ser sempre uma merda.

 Pronto, agoooora foi.
        Depois de muito prometer, prometer e enrolar, enfim meu blog saiu.



                      Isso não vai passar de uma porção de textos e poemas de uma adolescente como qualquer outra, que transforma seus mais simples problemas em dramas colossais e obstáculos intransponíveis.
       É frescura, bobagem, coisa de menininha, mas qualquer pessoa que leia pode entender que é o que se passa em nossas cabeças.

 

          Trata-se que sou uma pessoa tão simples como você, tão comum como todos nós, passando pelas mais normais situações no processo de amadurecimento de um ser humano qualquer.
                 E cada um se expressa de um modo: música, pintura, desenho, moda, literatura [?], drogas, palavrões, farras, gritos.
       E meu protesto é esse: calar-me diante da montanha-russa que se mostra o mundo em minha vida e escrever em simples linhas de qualquer folha, de qualquer caderno, minhas inquietudes, minhas muitas vezes ininteligíveis tolices e preocupações de mais uma vida despercebida em meio a tantas outras no hostil universo que se mostra a imensidão das circunstâncias.
                   
           Acho que ninguém vai ler isso. Mas se ler, seja bem-vindo ao meu mundo.