quarta-feira, 2 de junho de 2010

Saudades

   Pra começar a choradeira, um texto beeeem antigo...


               “Why is everything so confusing??”



       Deitada em minha cama sinto a madrugada se arrastar, suas longas horas me corroem por dentro. A chuva que serpenteia a janela imita as lágrimas que me desobedecem e insistem em lavar o vazio que te obriguei a deixar em mim.


           A decisão que tomei não foi impensada. Antes de te deixar, passei por dias de reflexão sobre nossos momentos, nossos sentimentos. A última coisa que eu queria era me arrepender da minha atitude, independentemente de qual fosse ela... e foi exatamente o que aconteceu.


   Quando pensei que podia viver sem você, minha razão me enganava, me fazendo crer que somente ela me bastava. E meu sentimento lamentava, cobrando a atenção que eu lhe devia, tentando me mostrar que a razão nem sempre é o caminho inverso ao da dor. Hoje até meu cérebro sofre as conseqüências da atitude que ele próprio coordenou; tudo está confuso e instável tanto dentro da minha cabeça quanto dentro do meu coração. Mal posso enxergar o caminho através do nevoeiro que se formou ao meu redor.


    “O nevoeiro é rigoroso e cruel. Não posso voltar atrás porque ele abriu um abismo às minhas costas; não posso avançar porque ele não permite que eu veja o próximo passo, não me deixa enxergar o solo ou entender as precipitações do caminho...”


                 Cometido o meu erro, agora me falta espaço, e todo oxigênio do mundo me parece insuficiente. No início, meus dias eram comuns e ociosos. Fui procurar novos ares, mas comparei todos os ventos à sua respiração embalada por nosso abraço; todos os aromas ao teu cheiro impregnado à gola do paletó que ainda não quis lavar. Fui atrás também de novas formas de buscar a felicidade, mas tais caminhos não se aplicam a mim, e eu também não pude me aplicar a eles.


   Então lembranças tuas vieram derrepente, e me perfuravam e me queimavam como uma flecha em chamas. As flechas, porém, atingiram minhas entranhas e o fogo se alastrou, incendiando-me. Era copiosa a forma com que eu ardia, mas também devastadora e altamente inflamável. Quanto mais queimava, mais me agredia e mais intensamente ardia; e mais se espalhava. Era o inferno dentro de mim. Fui perdendo também as manhas teatrais, e tornava-se claro meu sofrimento.

        Já não caibo mais dentro de mim, o mundo me parece pequeno sem seu toque. E enquanto sofro calada, percebo que em minhas lembranças algo crucial escorre por entre meus dedos. Descobri que não consigo mais lembrar teu rosto.


            E como se não bastassem as lembranças e deslembranças tuas, sempre piora. Quando penso que podes estar nos braços de outra, a brasa, que outrora fora labareda ardente, volta me despir o juízo, como antes não faria.


                        “Quantos suspiros me escaparam, quantas lágrimas me fugiram, enquanto escrevo essas vãs palavras??”


      E não se iluda ao pensar ser a tua volta a razão dessas inconstantes linhas, mas a necessidade de expressar de algum modo minha inquietude inacomodada. E se somente o sono ameniza minha dor, que a misericórdia divina permita que minhas perturbadas pálpebras se fechem nos braços de Morfeu – feito louvável que o ardor de minhas entranhas tem me impedido de realizar.


         E mesmo com tanto sofrimento não posso dizer que te amo, se o amor permite que nos felicitemos somente com a felicidade do outro. Meu egoísmo, desgraça humana, que só me deixa querer você ao meu lado, de amargar-me em pensar nos outros lábios que porventura beijas, me mostra o caminho da paixão e do desejo em teu leito.


                                 “There is no love here.”


           Teus lábios não existem mais macios; teus beijos não existem mais fartos. Teus braços não existem mais firmes; teus abraços não existem mais seguros.

                    É muito [#]foda ainda te querer.

 
                                 Ana Laura is suffering//...

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