domingo, 13 de junho de 2010

Decepção

Sob o olhar da tristeza
repousa o meu interior,
sustentando-se da falha
na missão de não chorar.
Malditas lágrimas, praguejo,
enchendo minhas pálpebras,
espalhando pelo resto de mim
a sensação de morte.
  Como quem não divulga seu preceito
  pelas costas, no auge do meu gozo
  veio a lâmina que me atravessa o peito
  de onde eu bem pensava duvidoso.
Maldito seja o lado divino do homem,
maldito seja seu lado perverso, diabral,
maldito seja o ser que um dia resolveu
que ambas as faces convivessem
dentro do corpo de um animal
que, mesmo tendo em si a consciência
se entrega ao mais simples e vil instinto.
   Lembrar o domínio da verdade sobre nossas vidas,
   um para o outro, o outro para um,
   o que há pouco nos mantia unos,
   e que agora nos faz água e óleo, preto e branco.
       Sofro agora porque errastes;
       sofro mais se te deixo pela decepção,
       ou se te aceito outra vez e corro mais o risco da traição?

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