sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Surto de amor não-declarado


  Mas acho que na verdade somos dois idiotas totalmente apaixonados que ficam cheios de dedos pra falar da dimensão do próprio sentimento. Eu acho viadagem, e não sei bem se tenho coragem de dizer pra ele que acho que foi feito pra mim, e eu pra ele. Que eu até animaria casar, se ele quisesse. Correria sério risco de ser abandonado no altar - meu medo (e asco) de casamentos é explícito - mas acho que eu diria 'sim' sem pensar, e pela 1ª vez na vida deixaria pra analisar a proposta depois que decidisse. 
    Não sei porque tô postando isso, se tenho medo de dizer pessoalmente e agora você tá lendo isso. Mas sei que você também deve sentir coisas que não diz. Mas eu te amo. Te amo porque somos iguais, te amo porque não sei como isso é possível, te amo porque você me fez acreditar em destino. Te amo porque você acredita em mim como eu mesma muitas vezes não acredito, e como eu acredito em você. 
  Te amo porque você é o que me prende ao lado místico da vida. Porque você me dá fé, porque o seu sorriso e seus trocadilhos ridículos me convencem diariamente que alguém muito foda tramou o nosso encontro - ocasião esta que, diga-se de passagem, tinha tudo pra dar errado. Te amo porque você me deixa livre e me faz te amar por ser o que é. Te amo porque você não me obceca, mas me prende ao seu sorriso e só. Te amo porque você se transformou por mim, como eu mesma não achei que mudaria, e te amo porque você me convence disso a cada dia. Te amo porque não morro por você, mas porque você me convence a viver, sorrir, comer e até malhar. 
   Porque você me convence a lutar pelos meus sonhos quando eu começo a considerá-los uma grande loucura. Te amo pela tua mania idiota de negar até a morte ínfimo ciúmes, e porque fica lindo quando não consegue disfarçar.
     E te odeio mortalmente por me deixar assim tão ridiculamente derretida e apaixonada a ponto de escrever esse monte de merda. Cretino *-*

terça-feira, 26 de julho de 2011

Incertas certezas

texto antigo, mais precisamente datado de 09/07/08. ultimamente não tenho tido inspiração suficiente.

Ser humano é tão incerto quanto pode ser. Não tem certeza nem ao menos da própria vontade, que dirá dos outros ou da própria morte. Afinal não seria a vida um breve golpe de sorte?
  O ser humano é servo apenas de sua própria incerteza: aceita tua condição de nada estar certo.
Mas qual seria da vida a graça se de tudo detivéssemos certeza, e o destino dominássemos?
    Se esvairiam os sonhos, as esperanças morreriam, metas não existiriam, e bem mais inúteis nos tornaríamos.
Se do porquê não sabemos
e buscamos descobrir
nós provamos à incerteza,
nos provamos que a certeza é mero privilégio dos que não sabem mais sonhar.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Azilo


'Quando nasci um anjo esbelto, desses que tocam trombeta, anunciou: vai carregar bandeira'
                                                                          Adélia Prado




           Desistência. Meu corpo desfalece, minha mente se entrega e eu já não quero mais lutar. Nem fingir ser forte ainda consigo. A base de todos, a força, a razão, o juízo que antes me rotulavam agora não passam de embalagens vazias. Acabou-se todo o auxílio que eu podia prestar. Esvaiu-se toda a minha habilidade de apaziguar, reunir, pacificar. 
                   E com toda a sensatez que me decorava, foi-se embora minha calma, fugiu minh'alma e escondeu-se meu sorriso com minha alegria, que há muito não encontro mais. 
         
       Me vejo numa prisão. Porém ela não prende meu corpo, mas tudo o que o move. Quando minhas mãos a atacam e tentam libertar o que resta do meu eu, meu esforço se mostra inútil. Nada pode me soltar agora. Assim, só me resta desistir de tentar mudar a realidade que há muito não reside em minhas mãos. 
            Afinal, quando é a parte da bonanza?? Quem é o responsável por julgar se já penei o bastante, e me libertar? Quem me condenou, quem decidiu a minha pena? Qual foi o mal que outrora causei, e que agora me submete a esta pena?

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Veneno

  Envenena-me como fazem os peçonhentos. E como sorrateiros que são, invade-me também aos poucos, sutilmente; às vezes nem te percebo me dominar. 
   Tão lento quanto se aproxima, olhando fundo e firme em meus olhos, olhar penetrante como só o teu. Tão leves quanto teus dedos, sedosos, ágeis, minuciosos ao me tomar para si. Tão suaves quanto teus lábios, que docemente roçam nos meus buscando uma fenda por onde aplicar teu veneno.
     Assim tão sutis são tuas artimanhas de me envolver, de me ganhar. Astuto, perverso, diabral, me traz as mais sórdidas tentações num simples e malicioso olhar de víbora cruel.
        Veneno este que me explora, me corrompe e corrói meu eu em translúcidas manhas de reciprocidade. Mostra-se também frágil ao meu efeito a cada nota dessa melodia. Faz-me escrava e escraviza-se sem pensar, faz-me escrava e faz-se meu: servo leal de meus caprichos.