terça-feira, 3 de maio de 2011

Azilo


'Quando nasci um anjo esbelto, desses que tocam trombeta, anunciou: vai carregar bandeira'
                                                                          Adélia Prado




           Desistência. Meu corpo desfalece, minha mente se entrega e eu já não quero mais lutar. Nem fingir ser forte ainda consigo. A base de todos, a força, a razão, o juízo que antes me rotulavam agora não passam de embalagens vazias. Acabou-se todo o auxílio que eu podia prestar. Esvaiu-se toda a minha habilidade de apaziguar, reunir, pacificar. 
                   E com toda a sensatez que me decorava, foi-se embora minha calma, fugiu minh'alma e escondeu-se meu sorriso com minha alegria, que há muito não encontro mais. 
         
       Me vejo numa prisão. Porém ela não prende meu corpo, mas tudo o que o move. Quando minhas mãos a atacam e tentam libertar o que resta do meu eu, meu esforço se mostra inútil. Nada pode me soltar agora. Assim, só me resta desistir de tentar mudar a realidade que há muito não reside em minhas mãos. 
            Afinal, quando é a parte da bonanza?? Quem é o responsável por julgar se já penei o bastante, e me libertar? Quem me condenou, quem decidiu a minha pena? Qual foi o mal que outrora causei, e que agora me submete a esta pena?

2 comentários:

  1. Ana Laura, o seu texto é muito interessante. Achei que começou muito bem com a citação de Adélia, e depois justificou plenamente o seu sentimento através da metáfora de uma prisão. Muito intenso. Parabéns! Abraço!

    Convido para que leia e comente algo no http://jefhcardoso.blogspot.com/ Espero que curta. Valeu!

    “Que a escrita me sirva como arma contra o silêncio em vida, pois terei a morte inteira para silenciar um dia” (Jefhcardoso)

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  2. Parabéns a todos vocês de Divinópolis por sua conterrânea que tanto admiro. Obrigado por sua atenção ao meu blog!

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