segunda-feira, 2 de maio de 2011

Veneno

  Envenena-me como fazem os peçonhentos. E como sorrateiros que são, invade-me também aos poucos, sutilmente; às vezes nem te percebo me dominar. 
   Tão lento quanto se aproxima, olhando fundo e firme em meus olhos, olhar penetrante como só o teu. Tão leves quanto teus dedos, sedosos, ágeis, minuciosos ao me tomar para si. Tão suaves quanto teus lábios, que docemente roçam nos meus buscando uma fenda por onde aplicar teu veneno.
     Assim tão sutis são tuas artimanhas de me envolver, de me ganhar. Astuto, perverso, diabral, me traz as mais sórdidas tentações num simples e malicioso olhar de víbora cruel.
        Veneno este que me explora, me corrompe e corrói meu eu em translúcidas manhas de reciprocidade. Mostra-se também frágil ao meu efeito a cada nota dessa melodia. Faz-me escrava e escraviza-se sem pensar, faz-me escrava e faz-se meu: servo leal de meus caprichos.

2 comentários:

  1. Olá, adorei seu texto, uma excelente poesia em prosa. Você pode dizer o que te inspirou a fazê-lo?

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  2. @Ivã opa ivã, tudo bom? obrigada pelo comentário ^^
    então, geralmente escrevo sobre o que se passa comigo, assim fica fácil me inspirar.
    abs õ/

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