'Quando nasci um anjo esbelto, desses que tocam trombeta, anunciou: vai carregar bandeira'
Adélia Prado
Desistência. Meu corpo desfalece, minha mente se entrega e eu já não quero mais lutar. Nem fingir ser forte ainda consigo. A base de todos, a força, a razão, o juízo que antes me rotulavam agora não passam de embalagens vazias. Acabou-se todo o auxílio que eu podia prestar. Esvaiu-se toda a minha habilidade de apaziguar, reunir, pacificar.
E com toda a sensatez que me decorava, foi-se embora minha calma, fugiu minh'alma e escondeu-se meu sorriso com minha alegria, que há muito não encontro mais.
Me vejo numa prisão. Porém ela não prende meu corpo, mas tudo o que o move. Quando minhas mãos a atacam e tentam libertar o que resta do meu eu, meu esforço se mostra inútil. Nada pode me soltar agora. Assim, só me resta desistir de tentar mudar a realidade que há muito não reside em minhas mãos.
Afinal, quando é a parte da bonanza?? Quem é o responsável por julgar se já penei o bastante, e me libertar? Quem me condenou, quem decidiu a minha pena? Qual foi o mal que outrora causei, e que agora me submete a esta pena?