sábado, 19 de junho de 2010

Gosto

    Gosto quando me olha, sem malícia, sem luxúria, e foca em meu olhar tuas mais puras pretensões. Gosto quando me prende devagar em tua respiração, na proximidade dos nossos rostos, formando um elo firme. Gosto quando a tua boca explora a minha, alongando-se pelas outras partes da minha face, buscando meu mais doce mel.
    Gosto da sensação do teu corpo, dos teus braços, da tua alma. Gosto do teu cheiro, do teu gosto, do teu toque. Gosto do teu ar, dos teus lábios, da tua pele.
    Gosto quando me toma pelas mãos e me guia pelo teu corpo. Gosto quanto testa minhas costelas e a pele das minhas costas, quando suga em meu pescoço meu fôlego, e aplica em mim teu veneno que nos torna imortais. Gosto quando sussurra em meus ouvidos as mais loucas promessas de um amor aceso.
    Gosto das tuas ousadias, das tuas sutilezas, dos teus movimentos agressivos e das tuas delicadezas. Amo teus raros surtos românticos, amo enxergar sentimentos por entre tuas mais rústicas masculinidades, e explorar tuas fraquezas em meio às tuas muralhas de areia.
    Amo teus olhos, tua boca, tuas sardas e teu olhar. Amo teus cabelos, teus braços, teus traços, teu pescoço, teu colo e tuas mãos. Amo teu jeito, teu sarcasmo, teu meio-sorriso inundado em terceiras intenções e a forma com que me desafia. Amo tuas histórias loucas e cada uma das tuas cicatrizes espalhadas. Amo tua voz, arrastada, embebida em preguiça, sono, malícia e fogo. Amo o jeito que fala, a forma dos teus movimentos, tua mania de me contrariar.
    Acho que também amo você.

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